O dinheiro desafiando os casais contemporâneos

24 mar | Leitura: 8min

O dinheiro desafiando os casais contemporâneos | Blog Aprender Vivo

O senso comum identificou o dinheiro como uma das fontes mais comuns de desentendimentos entre casais, podendo inclusive precipitar um processo de separação e divórcio.


Porém, não é apenas a sabedoria popular, mas também estudos científicos que confirmam o papel do dinheiro e a influência da gestão e da vida financeira no relacionamento conjugal.


O aumento do estresse durante a pandemia tem agravado a saúde mental e afetado negativamente os casais. Com o agravamento cada vez maior das condições econômicas, tem aumentado o estresse financeiro, no que diz respeito à ausência de renda satisfatória e à insatisfação com essa condição, prejudicando assim a saúde mental.


O apoio social é um dos principais fatores facilitadores para o enfrentamento de dificuldades financeiras, indicando a relevância de um vínculo conjugal forte na diminuição dos riscos de comprometimento da saúde mental.


Embora os casais iniciem a vida conjugal com muitas expectativas positivas, as dificuldades financeiras podem gerar instabilidade conjugal, uma vez que exigem que os casais alterem a forma como estão gerindo as finanças, por exemplo, reduzindo gastos ou procurando um segundo emprego, medidas nem sempre apoiadas pelos dois.

O que dizem os estudos

Estudos têm demonstrado que experiências de estresse financeiro e conjugal ao longo do casamento podem ter impactos prejudiciais duradouros sobre a saúde física a longo prazo; que os conflitos conjugais sobre dinheiro têm sido mais amplos, problemáticos e recorrentes, apesar das tentativas mais frequentes de resolução dos problemas (Papp et al., 2009); e que a tensão financeira durante os primeiros anos de casamento é um fator significativo associado ao aumento de preocupações com a instabilidade conjugal, tanto para maridos quanto para esposas (Barton & Bryant, 2016).


As evidências são muitas de que a possibilidade de discutir sobre a gestão do dinheiro e o planejamento financeiro tende a melhorar a comunicação do casal, reduzindo as fontes de conflito. É essencial, portanto, conversar sobre o assunto.


Além disso, a pandemia causada pelo coronavírus COVID-19 tem agravado a saúde mental e aumentado o estresse financeiro, comprometendo a qualidade de vida e o cotidiano dos casais.

Considerando o fato de que conversar sobre dinheiro e sobre finanças é um assunto delicado, desenvolver mecanismos mais apropriados para a organização das finanças pode influenciar positivamente na qualidade da relação conjugal.


Nesse sentido, a associação de contabilistas norte-americana criou uma comissão de educação financeira para propor alguns passos e dicas para ajudar a evitar que as decisões financeiras do casal se transformem em conflitos desastrosos para a estabilidade conjugal.

Passo 1. Comece com uma conversa simples

No início do relacionamento, seja franco sobre suas ideias financeiras. Se você está lutando com dívidas ou tem objetivos financeiros muito específicos, comece a falar sobre isso nesse momento. Discuta seus hábitos financeiros também.


Você corre riscos ou é cauteloso com o seu dinheiro? Um poupador ou um gastador? Suas atitudes sobre dinheiro não têm que ser idênticas, mas se houver grandes diferenças, algum compromisso pode ser necessário. Para os casais, é melhor resolver essas questões agora do que deixá-las causar mal-entendidos ou discussões mais tarde.


Suas primeiras conversas devem incluir uma discussão sobre como cada uma de suas famílias lidou com o dinheiro quando vocês estavam crescendo. Nunca foi discutido? Você vivia com um orçamento apertado e econômico às vezes? Ou sempre havia muito para o que você queria?


É útil saber com quais experiências e atitudes vocês cresceram para que possam desenvolver uma abordagem acerca do dinheiro com a qual ambos se sintam confortáveis.


A conversa é muito importante para permitir que os dois estejam cientes de onde estão se metendo. Qualquer que seja o tipo de problemas, não evite compartilhar os detalhes da sua situação financeira. A honestidade antecipada sobre o histórico financeiro pode garantir condições melhores no futuro, pois permite que o novo casal planeje em conjunto como amenizar quaisquer questões passadas e maximizar potenciais vantagens futuras.

Dica – Discuta as peculiaridades do dinheiro: A menos que vocês estejam começando a vida, em geral ambos trazem hábitos financeiros bastante fortes para o relacionamento e é provável que haja alguns conflitos. Tente aprender sobre os hábitos dos dois, discuta sem julgamento quais hábitos estão funcionando e os que podem estar prejudicando e tente adotar uma abordagem híbrida de controle financeiro, que misture os bons hábitos e trabalhe para minimizar os negativos.

Passo 2. Reveja os números e (novamente) apenas converse

Discuta seus rendimentos e revise suas condições financeiras, como poupança e conta corrente, dívidas, valores a receber, imóveis ou outros ativos. Subtraia sua dívida do valor de seus ativos – dinheiro, todos os investimentos e outros ativos – para determinar seu patrimônio líquido, que é um indicador de sua saúde financeira. Evite julgar enquanto reúne os fatos, e lembre-se que vocês são uma equipe, cada um de vocês tem seus pontos fortes e fracos.

Dica – Sua, minha ou nossa? Se cada um de vocês se acostumou a gerenciar suas próprias contas correntes e cartões de crédito, discuta se devem combinar tudo ou manter alguns recursos independentes para cada um. Despesas altas no cartão de crédito conjunto, se não forem discutidas com antecedência, podem gerar algumas conversas tensas.


Se há enteados envolvidos, discuta antes do casamento como vão tratar as despesas das crianças. Vai sair do dinheiro conjunto? Vai sair do dinheiro de um cônjuge? Se vocês planejam combinar as finanças, acordem algumas regras básicas como, por exemplo, quais compras devem ser discutidas antes.

Passo 3. Vá para a ação e estabeleça um plano de gastos (e economia) conjuntos

Não há um jeito único para gerenciar as finanças como um casal. Vocês precisarão decidir como combinar melhor as finanças para o seu relacionamento.


Alguns casais optam por manter contas separadas, para que não tenham que se preocupar acidentalmente em gastar tudo em uma conta conjunta. Alguns casais têm uma conta conjunta para pagamento de contas onde ambos contribuem, enquanto outros juntam tudo e depois gastam as miudezas em dinheiro, o que ajuda a controlar os gastos excessivos com desejos.

Um bom lugar para começar é um simples orçamento conjunto que vocês podem refinar e trabalhar juntos.


Comecem somando a renda com que vocês dois podem contar todos os meses e qualquer renda suplementar. Façam uma coluna com todas as suas despesas. Subtraiam as despesas mensais da renda mensal. Podem usar um aplicativo para ver para onde seu dinheiro está indo e identificar áreas para melhoria.

Dica – Criar um fundo de dinheiro para diversão: Tentem separar uma "mesada" no orçamento: dinheiro que cada um pode gastar com o que quiser, sem ter que responder questionamentos. Isso pode ajudar a evitar brigas sobre dinheiro.


Dica – Revisão do Seguro Saúde: Cada um de vocês tem cobertura no trabalho? Conversem se podem economizar escolhendo o melhor sistema.

Passo 4. Defina prioridades de curto e longo prazo

É difícil alcançar seus objetivos se você não sabe quais são – ou o que a outra pessoa quer. Economizar será mais fácil, também, se você tiver um incentivo claro.


Você quer comprar sua primeira casa? Um lugar maior? Criar um generoso fundo de viagem? Discutir seus sonhos é o primeiro passo para torná-los realidade.


Se depois de construir um orçamento juntos vocês têm algum dinheiro sobrando, podem usá-lo para economizar para esses grandes objetivos conjuntos. Se depois de estudar os números percebem que a renda é menor do que as despesas esperadas, provavelmente terão que decidir como reduzir os gastos.


Sempre que possível, faça da redução de sua dívida uma prioridade. Acabar com dívidas e pagamentos de juros irá deixar mais dinheiro em seu orçamento mensal para gastar. Dívidas pesadas, especialmente se você atrasar pagamentos, podem dificultar créditos futuros.

Dica – Definir metas conjuntas: O orçamento como um casal pode muitas vezes levar a gastos excessivos, principalmente se ambos estiverem ganhando e os rendimentos combinados somarem mais do que suas necessidades. Tomem cuidado para, antes de ajustar os gastos para corresponderem à renda mais alta, estabelecerem algumas metas de poupança juntos.


Dica – Tem empréstimos estudantis? Discuta o plano de pagamento. Os dois contribuirão para pagar o empréstimo de um deles ou caberá à pessoa que incorreu na dívida pagar? Empréstimos estudantis podem ser um dreno das finanças conjuntas e uma fonte de tensão se não forem discutidos de antemão.

Passo 5. Coloque seu plano em ação, estabeleça prazos e reavalie

Vocês já conversaram mais de uma vez. Definiram os valores e têm um plano. É hora de decidir quem será o principal responsável pelas contas, para garantirem que todas sejam pagas em dia e que não fiquem descobertas. Mas atenção, certifique-se de que o parceiro fique bem-informado do que está acontecendo.


Considerem definir uma data mensal ou trimestral para revisar o orçamento e ver o que deu certo, o que deu errado e se é necessário fazer ajustes. Também é um bom momento para discutir quaisquer despesas futuras, como férias, feriados ou reparos domésticos necessários.


Basicamente, a gestão financeira pode ser uma oportunidade para definirem juntos metas de longo prazo. Pode parecer bobagem definir algumas metas quando se trata de suas finanças, mas estabelecer metas financeiras ajuda a melhorar a comunicação como um casal, inclusive a decidir quais as economias possíveis. Ter grandes planos e algo para buscar à frente ajudará a fortalecer seu relacionamento e pode até mesmo deixá-lo mais motivado.


Ao criar o orçamento, o cônjuge que lida melhor com dinheiro pode criar um esboço geral do orçamento, mas ambos devem finalizar juntos! Lembre-se, não há nenhum "eu" na equipe! Priorize os objetivos do casal para que o orçamento conjunto funcione melhor.

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Perguntas frequentes

O que é Psicoterapia?

Psicoterapia é um relacionamento em que uma pessoa busca amparo profissional de outra para mudanças de sentimentos, pensamentos, atitudes ou comportamentos.
Sentir-se compreendido em uma atmosfera de segurança e de aceitação promove uma experiência verdadeiramente transformadora.

O espaço psicoterapêutico facilita o compartilhamento de segredos, emoções e experiências difíceis de abordar. Acrescido das intervenções do psicoterapeuta, esse processo de desenvolvimento pessoal vai promovendo as transformações na vida da pessoa.

O processo de mudança procurado pelo paciente é facilitado por todos os recursos técnicos do psicoterapeuta, que pode incluir conversações e técnicas de imaginação e de representação de situações relevantes por meio de desenhos, objetos facilitadores ou cenas.

Existem várias modalidades de psicoterapia: individual, grupo, casais e famílias.

Quem procura a psicoterapia?

Geralmente, as pessoas procuram a psicoterapia para falar sobre a vida e sobre as dificuldades. A maioria das pessoas busca a psicoterapia quando está tendo dificuldade para resolver problemas. Busca um lugar seguro para compartilhar seus pensamentos e seus sentimentos mais profundos sem julgamento. Crianças e adolescentes são trazidos pelos pais, na maior parte das vezes pressionados pela escola ou pelas evidências de que alguma coisa está acontecendo e quando já esgotaram os recursos para lidar com a situação.

Quais os motivos para fazer?

Normalmente, as pessoas procuram uma psicoterapia quando sentem que seus recursos não estão sendo suficientes. Em geral, isso ocorre em períodos de crise na vida pessoal, familiar ou profissional.

Alguns tentam diminuir o sofrimento usando medicações, ou até mesmo drogas e outras formas de alívio imediato. No entanto, é necessário recuperar ou desenvolver condições emocionais, psicológicas, sociais, físicas, artísticas, espirituais, para sermos mais felizes.

No geral, quando uma pessoa procura um psicoterapeuta, ela está vivendo estados como: tristeza durante grande parte do dia, por dias seguidos; felicidade ou euforia ou mesmo irritação excessiva; mudanças no apetite, no sono; pouca energia; sentimentos de baixa autoestima; tensão excessiva, com dificuldade em controlar a preocupação com problemas de menor importância. A pessoa não consegue identificar o que desencadeou esses e outros estados de muito sofrimento.

Ao longo da vida da mulher, ocorrem muitas mudanças hormonais que podem provocar variações de humor. Na transição da menopausa, um aspecto da vida da mulher que merece uma especial atenção é a sexualidade, por ser um período que envolve grandes mudanças em muitos aspectos da vida do casal.

Queixas mais frequentes:

  • Desconforto emocional
A maioria das pessoas busca a psicoterapia para o alívio da dor ou do desconforto. Sentir dor emocional faz parte da vida, mas, quando o desconforto (tristeza, ansiedade, luto) é grande ou ocorre por um longo período, ela pode comprometer a vida diária. E para aliviar esse desconforto, recomenda-se um processo psicoterapêutico.

  • Problemas de relacionamento
Muitas pessoas apresentam sofrimento emocional em consequência de dificuldades no relacionamento com o cônjuge, os pais, os filhos, os colegas de trabalho ou outra pessoa importante, sendo necessária a ajuda da psicoterapia (conjugal ou da relação) para a compreensão do problema e a identificação das ferramentas necessárias para mudança.

  • Preocupações familiares
Família é a principal fonte de amor, alegria, calor e proximidade em nossas vidas, porém traz também problemas e conflitos desafiadores. Em períodos difíceis, pode ser necessária a terapia familiar ou a orientação de pais para lidar com o desenvolvimento de seus filhos.

  • Mecanismos de superação
Desconforto emocional e problemas de relacionamento podem estar associados a deficiências nos mecanismos de superação de desafios, como timidez excessiva, dificuldade de comunicação, falta de assertividade ou controle precário da raiva. A psicoterapia pode ajudar a adquirir ou fortalecer habilidades necessárias.

  • Problemas sexuais
Insatisfação e disfunção sexuais são problemas comuns, podendo surgir constrangimentos para falar sobre eles. Psicoterapeutas podem auxiliar as pessoas a identificarem as dificuldades e a usufruírem o máximo possível de suas vidas sexuais.

  • Perdas recentes
Vínculos fortes são muito importantes para o ser humano. Rupturas dessas ligações – com a morte ou a separação – podem provocar grande dor emocional, sendo indicada a psicoterapia para ajudar a lidar com a perda.

  • Vítimas de trauma ou abuso
Ser vítima de abuso físico ou sexual, ou de qualquer outra forma de violência, pode oprimir a capacidade de superação e deixar cicatrizes que comprometem a habilidade de viver uma vida normal. A psicoterapia cria um espaço confidencial, com apoio e segurança.

  • Uma desordem ou condição clínica mais preocupante
Muitas vezes, as pessoas tendem a atribuir ao cansaço alguns indícios de que há um sofrimento mais sério. Alguns sinais indicam a necessidade de psicoterapia, tanto para um diagnóstico profissional como para a identificação da necessidade de ajuda medicamentosa. A psicoterapia pode ajudar a superar os obstáculos que impedem alcançar os próprios objetivos. Mesmo não havendo uma condição mais séria, a psicoterapia pode ajudar a aprender mais sobre si mesmo, sobre os outros e sobre como viver a vida com maior satisfação pessoal.

  • Futuro: carreira profissional
Questões relacionadas à carreira podem afetar todos os aspectos da vida – família, amigos e mesmo o sentido de quem sou eu. Falar com um profissional treinado em um ambiente seguro e confidencial pode ajudar nessas questões.
O que é um Grupo de Apoio?

É um espaço de compartilhamento de experiências mediado por um profissional especializado no trabalho com grupos e no tema proposto. Todos os participantes compartilham as mesmas questões relacionadas ao tema do grupo.

Como funciona um Grupo de Apoio?

A Aprender Vivo oferece grupos de apoio semanais, com 2 horas de duração, sob a coordenação de um profissional experiente na área.

Quais os benefícios do Grupo de Apoio?

Resignificar experiências e desenvolver novas perspectivas para as dificuldades enfrentadas. Com o auxílio do grupo e do profissional coordenador do grupo, promover mudanças relevantes para o enfrentamento de situações em que se encontram. Tem uma dimensão socioeducativa com informações relevantes para o enfrentamento da situação específica daquele grupo e o apoio emocional promovido pela condução do grupo em ambiente protegido.
Qual o conceito do Grupo de Apoio?

O conceito de grupo

Os pioneiros nos estudos de grupos (JL Moreno, Slavson, Foulkes, Bion e outros) seguiram caminhos diversos, porém com alguns princípios comuns a todos eles, com destaque para a concepção de grupo como uma entidade unitária e a identificação de alguns princípios que regem seu funcionamento e evolução.

As proposições filosóficas e metodológicas de JL Moreno (1993, 1994a, 1994b) fundamentam conceituar grupo como um sistema vivo em contínuas transformações, caracterizado por forças de aproximação, afastamento e indiferença entre os integrantes, reveladas na matriz sociométrica. Constitui-se assim por uma potência interna inicial em contínua interação com o ambiente em que está inserido, produzindo uma estruturação ativa de sua forma e organização, resultando em algo único e imprevisível, que faz com que cada grupo tenha sua própria identidade.

A teoria geral dos sistemas traz também importantes contribuições pela possibilidade que oferece de compreensão da complexidade dos grupos, considerando diferentes níveis de organização. Desse referencial, dois conceitos são particularmente importantes. O primeiro deles é a noção de fronteiras. MacKenzie (1990) salienta que esse conceito pode ser compreendido num sentido físico (porta fechada da sala) ou psicológico (consciência de que duas instâncias são diferentes). Nas intervenções socioeducativas, a principal fronteira é aquela que diferencia a cultura interna do grupo em relação ao mundo externo, responsável pelo fortalecimento da identidade grupal.

O segundo conceito é o de permeabilidade no funcionamento da fronteira. Segundo MacKenzie (1990), a abertura favorece a aquisição de novas informações, a disponibilidade para correr riscos e mudar. Por outro lado, seu fechamento favorece a reorganização do eu. Nos grupos, os participantes vivenciam períodos de mudança intercalados com aqueles de maior reflexão e consolidação.

Num sistema social, segundo esse mesmo autor, funcionam diversas fronteiras:
  • Externa: relativa a temas e experiências que criam um sentido de grupalidade. É particularmente importante no início do grupo.
  • Interpessoal: relativa às interações entre os membros do grupo.
  • Subgrupos: relativa aos subgrupos existentes na estrutura grupal, que podem ser flutuantes. Na Figura 1, ela vai além do grupo pela possibilidade de envolver questões referentes à socialização externa.
  • Liderança: relativa ao líder designado, que tem maior influência e responsabilidade. Pode conter uma equipe de coordenação (co-terapeuta, observador, supervisor).
  • Individual: relativa ao sentido de eu do indivíduo ou seus aspectos conhecidos pelos demais. O autor salienta que estados internos são reconhecidos a partir de interpretações do que é observado do comportamento interpessoal, o que facilita a atenção a esses padrões relacionais.

Considerando-se esses referenciais teóricos, define-se grupo como sendo um sistema constituído por pessoas reunidas com uma tarefa ou função comum, que é a de formar e manter o sistema, constituindo-se, portanto uma estrutura dinâmica de interações, além do conteúdo em desenvolvimento.

Fatores terapêuticos nos grupos

O grupo caracteriza-se como um microcosmo social com importantes propriedades terapêuticas (Yalom e Leszcz, 2006). Esses autores apontaram importantes mecanismos de aprendizagem e sistematizaram vários fatores terapêuticos que operam nos grupos.

MacKenzie (1990) sistematizou esses mecanismos em duas categorias:
  • Decorrentes das interações grupais: apoio mútuo (esperança, aceitação, universalidade, altruísmo), auto-exposição (emoção e integração), aprendizagem com o outro (modelagem, aconselhamento, educação).
  • Decorrentes das intervenções terapêuticas: aprendizagem interpessoal (feedback e experimentar novos comportamentos) e auto-compreensão (experiência emocional corretiva).
Esses fatores atuam em todos os grupos e devem ser estimulados sempre que possível.

Yalom e Leszcz (2006) descreveram a instilação e manutenção da esperança como um importante fator terapêutico. Na etapa de preparação para o grupo, favorece o enfrentamento das dificuldades próprias de uma experiência desconhecida. Um outro fator relevante nas intervenções de tempo limitado é a universalidade, relativa ao reconhecimento de preocupações semelhantes. Favorece a identificação com o outro e o envolvimento mais rápido. Também perceber que não são únicos em suas aflições traz um enorme alívio.

Uma das condições necessárias para a ação dos mecanismos terapêuticos é a coesão grupal. Caracteriza-se pelo pólo de interesse e envolvimento dos participantes, em oposição ao afastamento e absorção consigo mesmo. Yalom e Leszcz (2006) definiram coesão como a resultante das forças agindo sobre os participantes, caracterizando a atração do grupo sobre seus membros. Em grupos coesos, predominam sentimentos de afeto, conforto e a sensação de pertencimento. Gera envolvimento, investimento, exposição e, consequentemente, maior adesão e melhores resultados.
Como é a Supervisão Clínica para terapeutas?

A supervisão clínica reúne um grupo de pessoas interessadas em discutir, atualizar e aprimorar suas práticas profissionais sob a coordenação de um profissional experiente na área. Consta de apresentações de casos clínicos, mantendo o sigilo de dados pessoais, para trazer o foco aos aspectos técnicos e emocionais do profissional que impedem o encaminhamento do processo terapêutico e o desenvolvimento do papel profissional do terapeuta.
Quais os valores dos cursos e serviços?

Capacitação profissional
Pós-graduação - R$9.900,00 à vista com opções de parcelamento
Cursos livres - de R$250,00 à R$2.500,00

Desenvolvimento Profissional
Grupo de apoio e vivências - R$1600,00 à vista com opções de parcelamento

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Dúvidas sobre família

Quais são os principais problemas causados pela falta de tolerância e diálogo nas famílias?

Uma boa comunicação é uma característica importante em famílias saudáveis. Ajuda a construir vínculos fortes e resistentes para lidar com os desafios da vida - vínculo conjugal, pais-filhos e entre irmãos. Poder conversar sobre qualquer dificuldade que um dos membros da família está enfrentando significa facilidade de diálogo. Suportar as diferenças é tolerância. Pouca tolerância faz por exemplo que pais interrompam os filhos quando eles tentam explicar algo. Pode haver intolerância frente a diferenças de opinião, personalidades, crenças, valores ou metas para o futuro.

Uma boa comunicação é essencial na família. Diálogo é falar e também ouvir. Os maiores desafios são expressar-se de forma clara e objetiva e ser um ouvinte ativo, isto é fazer todo o esforço necessário para ouvir, se esforçando para entender o ponto de vista do outro. Prestar atenção à linguagem verbal e a não verbal. Tolerância é compreender e respeitar o ponto de vista do outro.

A condição para o diálogo está comprometida quando um fica lembrando problemas que já foram resolvidos no passado, tenta controlar comportamentos através da indução de culpa, ignora os sentimentos dos filhos, reclama ou faz um sermão. Esses comportamentos tendem a gerar ressentimento, desconfiança e uma posição de defesa no filho, que pode parar de tentar se comunicar com seus pais. Ou seja, essas condições levam à distância, pouca confiança e pouca cooperação.

A tolerância fica comprometida em famílias muito ligadas em comunicação negativa: críticas, brigas, ficar na defesa etc., comportamentos que reforçam a intolerância. Essa forma de comunicação não fortalece cooperação e o respeito às diferenças (componente da tolerância). 

A falta de diálogo e uma comunicação truncada, com pouca abertura e honestidade para abordar os conflitos, dificultam o desenvolvimento de confiança e, consequentemente, leva a padrões de relacionamento comprometidos, fortes.

O casal, para evitar esse tipo de problema, pode desenvolver uma comunicação saudável em que os pais valorizam estar com os filhos, conversar sobre tudo, criam oportunidades sempre que possível para falar com os filhos.

Comunicação precisa ser praticada para ser eficaz. Quando não há atividades compartilhadas, há falta de tempo para conversas frequentes, os filhos têm dificuldade para desenvolver habilidades interpessoais e fortalecer a confiança – acabam ficando com a impressão de que conversar sobre algo mais difícil é trabalhoso e com pouca chance de dar certo. No entanto, comunicação e responsividade afetiva são as principais condições para um funcionamento familiar saudável e mais ainda para o desenvolvimento da autoestima dos filhos, principalmente na adolescência.

Mais objetivamente, os pais precisam criar tempo para conversar entre si e com os filhos, comunicar pensamentos e sentimentos de forma clara e direta.

Para aumentar a harmonia entre os irmãos, é importante identificar o que se entende por falta de harmonia. Muitos pais não querem que os filhos brigam, mas se esquecem de que brigar é também uma forma de enfrentar conflitos, diferenças e de ocupar o espaço quanto está ameaçado. A questão deveria ser como educar os filhos para que sejam cooperativos. Quanto mais cooperativos, poderão brigar sem culpa porque brigar aproxima também.

O principal instrumento para recuperar um bom relacionamento familiar é uma boa comunicação: falar calmamente e abertamente sobre as dificuldades da família. Assumir que nem sempre concorda com as opiniões pode ajudar a evitar conflitos. Ache tempo para se divertir. Se há um problema financeiro, por exemplo, pode ser útil fazer um plano de ação com um orçamento que todos concordem e possam trabalhar em cooperação.