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A importância das mulheres alfa

21 abr | Leitura: 9min

A importância das mulheres alfa | Blog Aprender Vivo

A Revista Forbes publicou recentemente um artigo do Dr. Rob Fazio - membro do Conselho Forbes, com mais de 20 anos de experiência como conselheiro sobre poder, influência e motivação - em que ele relata a observação do CEO David Solomon, da Goldman Sachs, de que as empresas com uma mulher no conselho têm um desempenho melhor do que as empresas que não têm.


Segundo Fazio, esse é um início para se diminuir a lacuna de gênero nas organizações, assim como reconhecer e trabalhar pela ascensão de mulheres alfa. Ampliar a presença feminina no mercado de trabalho é essencial. Com base em seu trabalho com organizações, ele percebeu que indivíduos alfas são a chave para abrir o caminho para a mudança organizacional e fazer com que as pessoas percebam a importância de defender as mulheres no mercado de trabalho e a mudança social.

"Alfa": o que significa?

O termo "alfa" vem de pesquisas sobre comportamento animal. Tradicionalmente, é usado para designar o animal macho líder de um bando.


A maioria dos executivos seniores são homens alfa, não por serem em número maior do que as mulheres alfa, mas por terem recebido mais oportunidades no nível executivo. Os homens tendem a se orgulhar de ser um alfa, de ter uma personalidade mais forte, enquanto as mulheres tendem a se desculpar por suas tendências alfa.


Em geral, é uma mulher alfa aquela que ambiciona a liderança. Ela é talentosa, altamente motivada e autoconfiante, o que a ajuda a liderar o grupo. Além disso, tende a acreditar que sua capacidade de vencer é ilimitada; mostra características de liderança e ambições extremamente altas, sendo reconhecida como impactante. Em síntese, a mulher alfa sabe o que quer, tem uma confiança contagiosa e é segura de si.


Em princípio, ser alfa não é ruim ou bom, mas sim a característica de alguém que assume a liderança independentemente de ser o líder identificado ou o especialista no assunto. Há valor em um alfa que, por exemplo, se dedica a questões ambientais, sociais e de governança, assim como tende a ser confiante e corajoso ao encorajar outros a apoiar a ideia de que um negócio deve se comportar de uma certa maneira. Alfas, em geral, são importantes, porém também é essencial ter mulheres alfas em papéis de liderança.

Mulheres alfa e liderança

Um estudo discutiu o desenvolvimento de um questionário de 14 itens para identificar mulheres que incorporam qualidades de liderança alfa e para ajudar na compreensão geral do perfil ou dos tipos de mulheres que atuam como líderes. Identificou que os índices de liderança, força e baixa introversão estavam relacionados à autoestima, inteligência emocional, perfil de liderança estudantil e traços masculinos.


A mulher alfa exerce uma liderança destemida, não é relutante. Por exemplo, uma líder feminina relutante, com dúvidas para saber se é ou não indicada para tal liderança, pode dizer: não sei se pertenço a esse papel de liderança, não sou uma líder nata, não sei o suficiente, não ganho o suficiente, não faço o suficiente para liderar. Por outro lado, a mulher alfa destemida dirá: sei que posso inspirar outros, adoro ser uma líder, sei que posso causar um grande impacto neste mundo.


Apresentam alta inteligência emocional, a capacidade de reconhecer e entender suas emoções e as de outros, gerenciar suas próprias e influenciar as dos outros. Têm consciência de que as emoções podem impulsionar seu comportamento e impactar as pessoas (positiva e negativamente).


Essas características as tornam boas mediadoras de negócios. Facilitam os relacionamentos sociais, começando conversas, alegrando o ambiente, apresentando as pessoas. Amenizam os desentendimentos e facilmente assumem o comando.


Tendem a ser muito dedicadas ao aprendizado contínuo, valorizam sua capacidade de aprender a enfrentar desafios, aprender com a experiência ou com os outros. Para isso, costumam ler constantemente, mergulhar profundamente em sua experiência, aprender sobre novos campos, pesquisas e tópicos.


São mulheres ambiciosas. Embora não percebam limites para o sucesso, não o consideram uma conquista solitária, pelo contrário, valorizam o apoio emocional de pessoas próximas. Geralmente buscam mentores, desafios, procuram novas oportunidades, querem mais renda, mais chances, mais da vida.

Acentuando o lado alfa

O artigo da Forbes já mencionado propõe, assim, quatro sugestões que podem acentuar o lado alfa nas mulheres:

1. Peça menos desculpas

Se você discorda ou tem um ponto de vista diferente, deve se sentir confortável em expressar essa visão sem se desculpar. Muitas pessoas se desculpam antes de colocar um ponto de vista, o que enfraquece o argumento. Em vez de se desculpar, reconheça o que foi dito, e então diga sua opinião. Pode ser colaborativa e clara ao mesmo tempo.

2. Defenda iniciativas além de questões de gênero

Não significa deixar de defender as mulheres, mas se envolver em outros movimentos e ter posições sobre uma variedade de questões. As empresas são culpadas de esperar que as mulheres sejam as líderes de grupos de defesa das mulheres, o que pode até tirá-las de seu trabalho ou injustamente marcá-las como alguém que só se concentra na igualdade de gênero. Os homens também precisam se adaptar mais nessa área para ampliar sua perspectiva.

3. Crie alianças com pessoas poderosas e com as sem poder

Os relacionamentos são cruciais para o sucesso. Quanto mais você diversificar seus contatos, incluindo pessoas influentes em seu meio e também aquelas sem poder, mais impacto positivo pode ter.


Use sua influência para construir alianças com pessoas poderosas para que possa realizar o que considera importante. Em relação às pessoas que não têm uma posição de poder, entenda o que é importante para elas e as defenda. Ajude-as a serem bem-sucedidas, e você construirá uma parceria leal em que realizarão mais juntos.

4. Domine a força sutil

Alfas tendem a querer dirigir e às vezes dirigem tão rápido que não prestam atenção aos outros. Os alfas assumem o comando porque buscam alto desempenho. Uma motivação alta para o desempenho precisa ser equilibrada com um propósito ou motivação que inclua pessoas. Isso permite que as alfas evitem focar apenas em obter os resultados que querem e, em vez disso, permite que prestem atenção ao que importa para os outros.


Dominar uma força sutil pode ajudá-la a alavancar sua motivação enquanto traz outros junto. Força sutil é uma influência intencional que demonstra uma confiança calma, equilíbrio e respeito.


Quando se trata de sucesso no trabalho e na vida o conselho é o mesmo para homens e mulheres: seja quem você é, mas não esqueça de estar consciente, adaptável e intencionalmente influente. Embora existam diferenças entre homens e mulheres, podemos estar certos de que a melhor abordagem é ser capaz de integrar as forças naturais dos diferentes gêneros.


Quanto maior for a participação feminina e quanto mais líderes emergentes forem mulheres que se sentem confortáveis em assumir o comando e estão conscientes da importância em adaptar-se, maior a chance de se cobrir a lacuna de gênero e alcançar mais negócios e mais bem social juntos.

Nos relacionamentos

Em relação à vida pessoal, existe o risco da mulher alfa exagerar em algumas posturas e provocar disputas de poder entre o casal. Precisamos diferenciar os traços de mulher alfa, que assume o papel de autoridade, define procedimentos, lidera o grupo, etc., e a necessidade emocional de estar no controle, a imposição de sua visão de mundo e a necessidade de obediência como prova de amor.


A mulher que tem e assume autoridade no serviço em geral irá escolher um homem que também assume seu lugar e, portanto, os dois irão discutir eventuais conflitos, de modo a negociar o melhor para o casamento. Pelo contrário, quando há a necessidade de assumir forçadamente a liderança, esperando obediência do outro, maior a chance de problemas relacionais. Poderá ser criado um cabo de guerra em que um deverá ceder/obedecer – uma disputa de poder em que todos perdem.


A necessidade de controlar (e de que o outro obedeça) afeta a vida sexual, principalmente quando um deles vai acumulando raiva/hostilidade. Ao não conseguir fazer valer sua vontade no dia a dia, a hostilidade resultante pode se manifestar em disfunções sexuais. Na vida afetiva, fica difícil para os dois desenvolverem cumplicidade e confiança, tendendo a ficarem em alerta e checando se tudo está sob controle, o que é sempre altamente destrutivo para os dois.

Feminilidade

Teorias do desenvolvimento inspiradas na experiência masculina identificam maturidade com a maior capacidade para separação, autonomia, independência, autossuficiência, dificultando a valorização de algumas características femininas. Homens e mulheres necessitam de relacionamentos que promovam crescimento, considerando a experiência de perda de vínculos de sustentação uma das principais fontes de problemas psicológicos. Neste referencial, a mulher se reconhece predominantemente pela capacidade de criar e manter vínculos, sendo o relacionamento junto a outras mulheres uma importante fonte de significados e de sustentação (Fleury, 2006).


No entanto, esta necessidade de vinculação para a sensação de self pode intensificar algumas características da identidade feminina, como por exemplo, concepções de feminilidade que consideram a mulher como nutridora emocional e física. Espera-se da mulher o desenvolvimento de uma economia emocional voltada para os outros, considerando voraz e excessivo o desejo de autoalimentação ou autocuidados.


Pressões sociais podem levar a menina a acreditar que sua identidade se caracteriza pela ausência de raiva e de necessidades próprias, tornando o sentimento de raiva ameaçador para sua identidade como mulher e para sua feminilidade.


Exceto nos cuidados com os filhos, caracterizados como interesse por uma outra pessoa, a mulher tende a suprimir sistematicamente a raiva, aumentando a sensação de fragilidade e comprometendo sua autoestima. Este mecanismo pode expressar-se através de sintomas psicológicos ou somáticos, mais frequentemente através da depressão, além de influenciar sua maneira de lidar com conflitos.

Conclusão

No desenvolvimento da identidade de gênero, a mulher pode desenvolver uma percepção de si mesma com uma divisão baseada nas características atribuídas aos dois gêneros, reconhecendo como masculinos seus aspectos voltados para a busca de autonomia e como femininos aqueles mais afetivos e dependentes. Esta condição pode ser acentuada pela desvalorização e consequente dificuldade em reconhecer muitas de suas características femininas, criando no desenvolvimento da mulher uma profunda sensação de que falta algo, de não estar completa.


Essas e outras questões psicológicas podem acentuar a culpa e o sofrimento no pleno exercício da liderança e na expressão de força por mulheres com esse perfil nomeado alfa. Quando a contenção de seus recursos pessoais é acentuada, pode ser necessário ajuda psicológica.

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Perguntas frequentes

O que é Psicoterapia?

Psicoterapia é um relacionamento em que uma pessoa busca amparo profissional de outra para mudanças de sentimentos, pensamentos, atitudes ou comportamentos.
Sentir-se compreendido em uma atmosfera de segurança e de aceitação promove uma experiência verdadeiramente transformadora.

O espaço psicoterapêutico facilita o compartilhamento de segredos, emoções e experiências difíceis de abordar. Acrescido das intervenções do psicoterapeuta, esse processo de desenvolvimento pessoal vai promovendo as transformações na vida da pessoa.

O processo de mudança procurado pelo paciente é facilitado por todos os recursos técnicos do psicoterapeuta, que pode incluir conversações e técnicas de imaginação e de representação de situações relevantes por meio de desenhos, objetos facilitadores ou cenas.

Existem várias modalidades de psicoterapia: individual, grupo, casais e famílias.

Quem procura a psicoterapia?

Geralmente, as pessoas procuram a psicoterapia para falar sobre a vida e sobre as dificuldades. A maioria das pessoas busca a psicoterapia quando está tendo dificuldade para resolver problemas. Busca um lugar seguro para compartilhar seus pensamentos e seus sentimentos mais profundos sem julgamento. Crianças e adolescentes são trazidos pelos pais, na maior parte das vezes pressionados pela escola ou pelas evidências de que alguma coisa está acontecendo e quando já esgotaram os recursos para lidar com a situação.

Quais os motivos para fazer?

Normalmente, as pessoas procuram uma psicoterapia quando sentem que seus recursos não estão sendo suficientes. Em geral, isso ocorre em períodos de crise na vida pessoal, familiar ou profissional.

Alguns tentam diminuir o sofrimento usando medicações, ou até mesmo drogas e outras formas de alívio imediato. No entanto, é necessário recuperar ou desenvolver condições emocionais, psicológicas, sociais, físicas, artísticas, espirituais, para sermos mais felizes.

No geral, quando uma pessoa procura um psicoterapeuta, ela está vivendo estados como: tristeza durante grande parte do dia, por dias seguidos; felicidade ou euforia ou mesmo irritação excessiva; mudanças no apetite, no sono; pouca energia; sentimentos de baixa autoestima; tensão excessiva, com dificuldade em controlar a preocupação com problemas de menor importância. A pessoa não consegue identificar o que desencadeou esses e outros estados de muito sofrimento.

Ao longo da vida da mulher, ocorrem muitas mudanças hormonais que podem provocar variações de humor. Na transição da menopausa, um aspecto da vida da mulher que merece uma especial atenção é a sexualidade, por ser um período que envolve grandes mudanças em muitos aspectos da vida do casal.

Queixas mais frequentes:

  • Desconforto emocional
A maioria das pessoas busca a psicoterapia para o alívio da dor ou do desconforto. Sentir dor emocional faz parte da vida, mas, quando o desconforto (tristeza, ansiedade, luto) é grande ou ocorre por um longo período, ela pode comprometer a vida diária. E para aliviar esse desconforto, recomenda-se um processo psicoterapêutico.

  • Problemas de relacionamento
Muitas pessoas apresentam sofrimento emocional em consequência de dificuldades no relacionamento com o cônjuge, os pais, os filhos, os colegas de trabalho ou outra pessoa importante, sendo necessária a ajuda da psicoterapia (conjugal ou da relação) para a compreensão do problema e a identificação das ferramentas necessárias para mudança.

  • Preocupações familiares
Família é a principal fonte de amor, alegria, calor e proximidade em nossas vidas, porém traz também problemas e conflitos desafiadores. Em períodos difíceis, pode ser necessária a terapia familiar ou a orientação de pais para lidar com o desenvolvimento de seus filhos.

  • Mecanismos de superação
Desconforto emocional e problemas de relacionamento podem estar associados a deficiências nos mecanismos de superação de desafios, como timidez excessiva, dificuldade de comunicação, falta de assertividade ou controle precário da raiva. A psicoterapia pode ajudar a adquirir ou fortalecer habilidades necessárias.

  • Problemas sexuais
Insatisfação e disfunção sexuais são problemas comuns, podendo surgir constrangimentos para falar sobre eles. Psicoterapeutas podem auxiliar as pessoas a identificarem as dificuldades e a usufruírem o máximo possível de suas vidas sexuais.

  • Perdas recentes
Vínculos fortes são muito importantes para o ser humano. Rupturas dessas ligações – com a morte ou a separação – podem provocar grande dor emocional, sendo indicada a psicoterapia para ajudar a lidar com a perda.

  • Vítimas de trauma ou abuso
Ser vítima de abuso físico ou sexual, ou de qualquer outra forma de violência, pode oprimir a capacidade de superação e deixar cicatrizes que comprometem a habilidade de viver uma vida normal. A psicoterapia cria um espaço confidencial, com apoio e segurança.

  • Uma desordem ou condição clínica mais preocupante
Muitas vezes, as pessoas tendem a atribuir ao cansaço alguns indícios de que há um sofrimento mais sério. Alguns sinais indicam a necessidade de psicoterapia, tanto para um diagnóstico profissional como para a identificação da necessidade de ajuda medicamentosa. A psicoterapia pode ajudar a superar os obstáculos que impedem alcançar os próprios objetivos. Mesmo não havendo uma condição mais séria, a psicoterapia pode ajudar a aprender mais sobre si mesmo, sobre os outros e sobre como viver a vida com maior satisfação pessoal.

  • Futuro: carreira profissional
Questões relacionadas à carreira podem afetar todos os aspectos da vida – família, amigos e mesmo o sentido de quem sou eu. Falar com um profissional treinado em um ambiente seguro e confidencial pode ajudar nessas questões.
O que é um Grupo de Apoio?

É um espaço de compartilhamento de experiências mediado por um profissional especializado no trabalho com grupos e no tema proposto. Todos os participantes compartilham as mesmas questões relacionadas ao tema do grupo.

Como funciona um Grupo de Apoio?

A Aprender Vivo oferece grupos de apoio semanais, com 2 horas de duração, sob a coordenação de um profissional experiente na área.

Quais os benefícios do Grupo de Apoio?

Resignificar experiências e desenvolver novas perspectivas para as dificuldades enfrentadas. Com o auxílio do grupo e do profissional coordenador do grupo, promover mudanças relevantes para o enfrentamento de situações em que se encontram. Tem uma dimensão socioeducativa com informações relevantes para o enfrentamento da situação específica daquele grupo e o apoio emocional promovido pela condução do grupo em ambiente protegido.
Qual o conceito do Grupo de Apoio?

O conceito de grupo

Os pioneiros nos estudos de grupos (JL Moreno, Slavson, Foulkes, Bion e outros) seguiram caminhos diversos, porém com alguns princípios comuns a todos eles, com destaque para a concepção de grupo como uma entidade unitária e a identificação de alguns princípios que regem seu funcionamento e evolução.

As proposições filosóficas e metodológicas de JL Moreno (1993, 1994a, 1994b) fundamentam conceituar grupo como um sistema vivo em contínuas transformações, caracterizado por forças de aproximação, afastamento e indiferença entre os integrantes, reveladas na matriz sociométrica. Constitui-se assim por uma potência interna inicial em contínua interação com o ambiente em que está inserido, produzindo uma estruturação ativa de sua forma e organização, resultando em algo único e imprevisível, que faz com que cada grupo tenha sua própria identidade.

A teoria geral dos sistemas traz também importantes contribuições pela possibilidade que oferece de compreensão da complexidade dos grupos, considerando diferentes níveis de organização. Desse referencial, dois conceitos são particularmente importantes. O primeiro deles é a noção de fronteiras. MacKenzie (1990) salienta que esse conceito pode ser compreendido num sentido físico (porta fechada da sala) ou psicológico (consciência de que duas instâncias são diferentes). Nas intervenções socioeducativas, a principal fronteira é aquela que diferencia a cultura interna do grupo em relação ao mundo externo, responsável pelo fortalecimento da identidade grupal.

O segundo conceito é o de permeabilidade no funcionamento da fronteira. Segundo MacKenzie (1990), a abertura favorece a aquisição de novas informações, a disponibilidade para correr riscos e mudar. Por outro lado, seu fechamento favorece a reorganização do eu. Nos grupos, os participantes vivenciam períodos de mudança intercalados com aqueles de maior reflexão e consolidação.

Num sistema social, segundo esse mesmo autor, funcionam diversas fronteiras:
  • Externa: relativa a temas e experiências que criam um sentido de grupalidade. É particularmente importante no início do grupo.
  • Interpessoal: relativa às interações entre os membros do grupo.
  • Subgrupos: relativa aos subgrupos existentes na estrutura grupal, que podem ser flutuantes. Na Figura 1, ela vai além do grupo pela possibilidade de envolver questões referentes à socialização externa.
  • Liderança: relativa ao líder designado, que tem maior influência e responsabilidade. Pode conter uma equipe de coordenação (co-terapeuta, observador, supervisor).
  • Individual: relativa ao sentido de eu do indivíduo ou seus aspectos conhecidos pelos demais. O autor salienta que estados internos são reconhecidos a partir de interpretações do que é observado do comportamento interpessoal, o que facilita a atenção a esses padrões relacionais.

Considerando-se esses referenciais teóricos, define-se grupo como sendo um sistema constituído por pessoas reunidas com uma tarefa ou função comum, que é a de formar e manter o sistema, constituindo-se, portanto uma estrutura dinâmica de interações, além do conteúdo em desenvolvimento.

Fatores terapêuticos nos grupos

O grupo caracteriza-se como um microcosmo social com importantes propriedades terapêuticas (Yalom e Leszcz, 2006). Esses autores apontaram importantes mecanismos de aprendizagem e sistematizaram vários fatores terapêuticos que operam nos grupos.

MacKenzie (1990) sistematizou esses mecanismos em duas categorias:
  • Decorrentes das interações grupais: apoio mútuo (esperança, aceitação, universalidade, altruísmo), auto-exposição (emoção e integração), aprendizagem com o outro (modelagem, aconselhamento, educação).
  • Decorrentes das intervenções terapêuticas: aprendizagem interpessoal (feedback e experimentar novos comportamentos) e auto-compreensão (experiência emocional corretiva).
Esses fatores atuam em todos os grupos e devem ser estimulados sempre que possível.

Yalom e Leszcz (2006) descreveram a instilação e manutenção da esperança como um importante fator terapêutico. Na etapa de preparação para o grupo, favorece o enfrentamento das dificuldades próprias de uma experiência desconhecida. Um outro fator relevante nas intervenções de tempo limitado é a universalidade, relativa ao reconhecimento de preocupações semelhantes. Favorece a identificação com o outro e o envolvimento mais rápido. Também perceber que não são únicos em suas aflições traz um enorme alívio.

Uma das condições necessárias para a ação dos mecanismos terapêuticos é a coesão grupal. Caracteriza-se pelo pólo de interesse e envolvimento dos participantes, em oposição ao afastamento e absorção consigo mesmo. Yalom e Leszcz (2006) definiram coesão como a resultante das forças agindo sobre os participantes, caracterizando a atração do grupo sobre seus membros. Em grupos coesos, predominam sentimentos de afeto, conforto e a sensação de pertencimento. Gera envolvimento, investimento, exposição e, consequentemente, maior adesão e melhores resultados.
Como é a Supervisão Clínica para terapeutas?

A supervisão clínica reúne um grupo de pessoas interessadas em discutir, atualizar e aprimorar suas práticas profissionais sob a coordenação de um profissional experiente na área. Consta de apresentações de casos clínicos, mantendo o sigilo de dados pessoais, para trazer o foco aos aspectos técnicos e emocionais do profissional que impedem o encaminhamento do processo terapêutico e o desenvolvimento do papel profissional do terapeuta.
Quais os valores dos cursos e serviços?

Capacitação profissional
Pós-graduação - R$9.900,00 à vista com opções de parcelamento
Cursos livres - de R$250,00 à R$2.500,00

Desenvolvimento Profissional
Grupo de apoio e vivências - R$1600,00 à vista com opções de parcelamento

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Dúvidas sobre família

Quais são os principais problemas causados pela falta de tolerância e diálogo nas famílias?

Uma boa comunicação é uma característica importante em famílias saudáveis. Ajuda a construir vínculos fortes e resistentes para lidar com os desafios da vida - vínculo conjugal, pais-filhos e entre irmãos. Poder conversar sobre qualquer dificuldade que um dos membros da família está enfrentando significa facilidade de diálogo. Suportar as diferenças é tolerância. Pouca tolerância faz por exemplo que pais interrompam os filhos quando eles tentam explicar algo. Pode haver intolerância frente a diferenças de opinião, personalidades, crenças, valores ou metas para o futuro.

Uma boa comunicação é essencial na família. Diálogo é falar e também ouvir. Os maiores desafios são expressar-se de forma clara e objetiva e ser um ouvinte ativo, isto é fazer todo o esforço necessário para ouvir, se esforçando para entender o ponto de vista do outro. Prestar atenção à linguagem verbal e a não verbal. Tolerância é compreender e respeitar o ponto de vista do outro.

A condição para o diálogo está comprometida quando um fica lembrando problemas que já foram resolvidos no passado, tenta controlar comportamentos através da indução de culpa, ignora os sentimentos dos filhos, reclama ou faz um sermão. Esses comportamentos tendem a gerar ressentimento, desconfiança e uma posição de defesa no filho, que pode parar de tentar se comunicar com seus pais. Ou seja, essas condições levam à distância, pouca confiança e pouca cooperação.

A tolerância fica comprometida em famílias muito ligadas em comunicação negativa: críticas, brigas, ficar na defesa etc., comportamentos que reforçam a intolerância. Essa forma de comunicação não fortalece cooperação e o respeito às diferenças (componente da tolerância). 

A falta de diálogo e uma comunicação truncada, com pouca abertura e honestidade para abordar os conflitos, dificultam o desenvolvimento de confiança e, consequentemente, leva a padrões de relacionamento comprometidos, fortes.

O casal, para evitar esse tipo de problema, pode desenvolver uma comunicação saudável em que os pais valorizam estar com os filhos, conversar sobre tudo, criam oportunidades sempre que possível para falar com os filhos.

Comunicação precisa ser praticada para ser eficaz. Quando não há atividades compartilhadas, há falta de tempo para conversas frequentes, os filhos têm dificuldade para desenvolver habilidades interpessoais e fortalecer a confiança – acabam ficando com a impressão de que conversar sobre algo mais difícil é trabalhoso e com pouca chance de dar certo. No entanto, comunicação e responsividade afetiva são as principais condições para um funcionamento familiar saudável e mais ainda para o desenvolvimento da autoestima dos filhos, principalmente na adolescência.

Mais objetivamente, os pais precisam criar tempo para conversar entre si e com os filhos, comunicar pensamentos e sentimentos de forma clara e direta.

Para aumentar a harmonia entre os irmãos, é importante identificar o que se entende por falta de harmonia. Muitos pais não querem que os filhos brigam, mas se esquecem de que brigar é também uma forma de enfrentar conflitos, diferenças e de ocupar o espaço quanto está ameaçado. A questão deveria ser como educar os filhos para que sejam cooperativos. Quanto mais cooperativos, poderão brigar sem culpa porque brigar aproxima também.

O principal instrumento para recuperar um bom relacionamento familiar é uma boa comunicação: falar calmamente e abertamente sobre as dificuldades da família. Assumir que nem sempre concorda com as opiniões pode ajudar a evitar conflitos. Ache tempo para se divertir. Se há um problema financeiro, por exemplo, pode ser útil fazer um plano de ação com um orçamento que todos concordem e possam trabalhar em cooperação.